sábado, 18 de outubro de 2008

meg stuart. maybe forever.

Empurra-me e puxa-me

Um processo de separação é quase sempre um processo violento, que nos prende e nos empurra de e para determinados estados emotivos. Uma separação nunca é fácil, mesmo quando parece fácil. São amarras que nunca deixam de estar, mesmo quando fingimos que não estão. Um processo de separação quando nutrimos ainda sentimentos fortes pela outra pessoa é ainda mais díficil. Se me dissesses: já não te amo, era tudo mais fácil, menos bonito, mas mais fácil, porque haveria um motivo para te odiar, para te esquecer. Assim, sinto só que falhámos, que fomos felizes e que nos perdemos em determinado momento. Passada a fase em que todos os que te rodeiam se preocupam contigo, vinda a fase em que gozas os teus momentos de libertação, parece que há dias em que te tiram o tapete do chão, em que te continuas a lembrar de todos os pormenores, em que as coisas mais estúpidas te fazem rir sozinha, e de repente a angústia desse momento chega e invade-te o estômago, faz-te chorar de dor e faz com que sintas vontade de vomitar, tal é o turbilhão de emoções que estás a sentir mesmo no teu centro. Todos aqueles clichés de que alguém te falou, das músicas, da escova de dentes, da tua camisola preferida, que ainda está cá em casa, todos esses acontecem em algum dia, em que por alguma razão estás mais frágil, e parece que és uma criança a quem disseram que não podia comer mais doces. A analogia até pode parecer estúpida, mas quando somos crianças até podemos achar que nos estão a fazer sofrer tanto... só porque não podemos brincar mais e temos de ir dormir, que se assemelha, apesar de serem universos diferentes.
Às vezes pergunto-me se é este o caminho, uns dias ando feliz, outros não, mas quase todos me lembro de ti. A questão é que não quero mais aquilo que tinhamos, não quero isso para mim, não quero mesmo. E tenho medo. Às vezes acho que nunca vou saber lidar com este conflito. Talvez a afonia venha de tudo isto que tenho para te dizer. Sinais do universo. Yes, i'm sad.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

dias de chuva e sol.

Confesso que tenho um fascínio por dias de chuva. Aqueles em que de repente chega o sol, entre nuvéns, e parece que ouço sempre uma canção de elliot smith. "Everything reminds me of her".. Hoje aconteceu-me isso à hora de almoço, quando saí para um café, praticamente em silêncio, dada a rouquidão com que acordei esta manhã. Talvez durante a noite tenha tido um sonho e falado, falado, falado até não poder mais, ou talvez seja apenas o meu corpo a avisar-me da necessidade de comunicar. Chá de cascas de cebola e gengibre e uma boa noite de sono... ou umas horas pelo menos.
Por acaso lembro-me perfeitamente da tarde em que o João me emprestou o "Figure 8" do Elliot Smith e o ouvi no meu quarto, ainda em casa da minha mãe, com o sol a entrar pelo quarto durante toda a tarde. E era inverno, talvez seja daí que vem esta memória auditivo-sensorial das tardes de inverno. Na altura andava na faculdade e estudava em cima da cama, às vezes deixava-me adormecer com os raios de sol a baterem na minha cara..

sábado, 11 de outubro de 2008

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

limbo de emoções



Passo por tantos estados ao longo do dia que, às vezes quando chego a casa me apetece reflectir. Às vezes são coisas tão díspares que perco a noção do tempo e penso que aconteceram em dias diferentes. Não acho que seja uma coisa só minha, acho que recebemos tantos inputs, tanta informação diariamente que acabamos por nos ir sentindo diferentes quase em cada momento do dia.
Hoje, por exemplo: acordar, sentir que devia ficar em casa na cama, a ver se me curava desta constipação. Não fico, tenho de ir trabalhar. Na minha cabeça vejo todos os assuntos pendentes, quase em post-it's, as coisas para fazer, olho lá para fora e levanto-me. Tomar banho, chegar ao trabalho, beber café, acordar. As coisas para fazer parecem não parar de aparecer. Sempre mais uma. Irritação, cansaço, nervoseira. Almoço uma salada e bebo outro café. Converso com uma amiga. Adoro o seu sorriso. Volto à rotina, lufa-lufa, mais coisas para fazer, outras já feitas. Começo a sentir demasiada acelaração. Páro. Penso e digo a mim mesma: "sem merdas, não vais entrar em stress, planeia, organiza, começa a fazer. Respira". Momento de pânico ultrapassado. Rio. Tusso. Rio de novo. Fico em silêncio, concentro-me, alimento-me. Preciso de açucar. Há anos que não comia um buonty.
Volto ao trabalho, ouço música e por vezes sorrio. Danço com os pés e os ombros enquanto penso num simulador, num site de pontos, cartões, tenho de fazer uma entrevista para a semana. Quem vou escolher? Tenho de planear o que vou fazer sobre o Doc Lisboa e o Temps d'Images. Post-it's fotográficos. Hoje tenho o concerto de Noa. Não me apetece ir, acho que não gosto. devia ir. Já tenho o convite e não gosto de não aparecer quando disse que sim. Hum... será que a minha irmã quer ir por mim? telefonema puxa telefonema. Não tenho companhia. Não sei se vou, já decido. Planeamento da equipa para a próxima semana, destaques, comunicação. Imagens. Tenho tudo a andar. Telefonema: a minha orientadora já deixou a tese na recepção da faculdade. Tenho de a ir lá buscar ainda hoje. Há algumas alterações. Merda. Isto nunca mais acaba. Vou desistir. Angústia. O processo criativo, o processo de escrita e de investigação às vezes consegue ser verdadeiramente frustrante. Calma, ainda nem viste as alterações. Vou desistir. Estou a fazer isto porquê? Deixo cair o pensamento e volto ao trabalho. Adoro esta música. Ex-Wife. Embalo, concentro-me. Falo com a minha mãe passado umas horas ( "Tenho muitas coisas, este fim de semana não vou aí.").
8 da noite, tenho de sair. Vou à faculdade e apanho o trabalho revisto para começar no fim de semana. Se ficar muito deprimida salto o concerto, se não vou sozinha e logo vejo se gosto ou não. pego no texto, olho para as notas feitas pela professora. Primeiro pensamento: Vou mesmo desistir. Suspiro. Ponho música bem alto no carro. Abro a janela e ponho o cachecol. Dói-me a garganta. Olho para o documento e penso: vou fazer isto. Não me vais vencer. Vou superar as expectativas. As minhas. Conduzo até ao CCB. Concerto: sono, frio, ela tem uma voz incrível, às vezes é muito bom, às vezes só me apetece fugir, sinto que não é natural. Há coisas que não fazem sentido. Gostei de momentos, não do todo. Ela é boa naquilo que faz. Eu não me identifico. Vou ter uma sobrinha. Vai ter o meu nome. Ana.
Rumo a casa. Tomo um banho. Encontro-me comigo mesma. Como uvas frescas depois de pôr creme no corpo. Adoro estes momentos. Sorrio. Visto algo confortável e começo a escrever. Páro. Tenho de marcar a minha viagem. Está feito. Amesterdão, Praga, Londres. Só ainda não tenho o bilhete de regresso. 15 dias em três cidades. Em Dezembro. Antes do natal. Até lá tenho de entregar o projecto de dois anos. Quero mesmo terminar este ciclo.
Ponho um disco de Anywhen e recomeço o discurso. Saudades. Apetece ligar, mas estou bem comigo. Os meus dias são feitos de escolhas. de sensações, de músicas. Esta ("Scars and Glasses") deixa-me feliz por conseguir sorrir só com a beleza de um som. Acho que me vou deitar nos meus lençois azuis e deixar-me levar.

sábado, 4 de outubro de 2008

sensações

Sinto a liberdade em mim. Sorrio muitas vezes sem saber porquê. Adoro a música que descobri hoje. Acabo de ver a ecografia que mostra as 10 semanas de vida do meu sobrinho.